<em>Nunca mais me enganam</em>

José Casanova
São um milhão, ou talvez mais, os que, votando ora no PS ora no PSD, decidem qual o partido mais votado em cada eleição. Pelo menos, assim tem sido até agora, ao longo de sucessivos actos eleitorais. Recorde-se. Fartos da política do governo PS/Mário Soares, no qual haviam votado, consideraram-se enganados e juraram a si próprios que nunca mais se deixariam enganar. Cheios de vontade de mudança, e convencidíssimos de que estavam a pensar pelas suas cabeças, deram, então, a vitória, com maioria absoluta e tudo, ao PSD de Cavaco Silva. Passou o tempo e ei-los a torcer o nariz com desagrado, primeiro suspeitando que a cavacal política não era muito diferente da do governo anterior; depois constatando que não só não era muito diferente, como até era bastante parecida, se é que não era fotocópia; finalmente confessando-se arrependidos de terem votado no PSD e jurando a si próprios nunca mais se deixarem enganar. Estavam embrenhados nestas reflexões quando Cavaco Silva, num acto de bravura, fugiu e legou a um seu par a responsabilidade de sofrer a derrota que ele não queria sofrer. Novamente cheios de vontade de mudança, novamente jurando a si próprios nunca mais me enganam, novamente convencidíssimos de que estavam a pensar pelas suas cabeças e de que estavam a corrigir o tiro, votaram PS. Pouco tempo depois de António Guterres ter iniciado a sua pia governação, ei-los a torcer o nariz com desagrado, primeiro suspeitando que a guterral política não era muito diferente da do governo anterior; depois constatando que não só não era muito diferente, como até era bastante parecida, se é que não era fotocópia; finalmente confessando-se arrependidos de terem votado no PS e jurando a si próprios nunca mais se deixarem enganar. Estavam embrenhados nestas reflexões quando António Guterres, num acto de bravura, fugiu e legou a um seu par a responsabilidade de sofrer a derrota que ele não queria sofrer.
Novamente cheios de vontade de mudança, novamente jurando a si próprios nunca mais me en­ganam, novamente convencidíssimos de que estavam a pensar pelas suas cabeças e de que estavam a corrigir o tiro, votaram PSD. Pouco tempo depois de Durão Barroso ter iniciado a sua governação...
Não seria altura de começarem, de facto, a pensar pelas suas cabeças e de votarem de acordo com os seus direitos e interesses? Nem que fosse só para experimentar, para verem como era. Para participarem.



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